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Do dado à decisão, da decisão à execução: o novo gargalo da gestão

Por muitos anos, a construção de uma base corporativa de dados esteve nas discussões das empresas, mas poucas conseguiram estruturar isso de forma realmente efetiva e contínua. Depois, com o avanço das ferramentas sel…

Ana Thesing - BIMachine08 de outubro de 2026

Por muitos anos, a construção de uma base corporativa de dados esteve nas discussões das empresas, mas poucas conseguiram estruturar isso de forma realmente efetiva e contínua. Depois, com o avanço das ferramentas self-service — primeiro no BI e agora também na IA —, ficou muito mais fácil cada área ou pessoa acessar informações e construir suas próprias análises.

O efeito é que ganhamos autonomia, mas também criamos muita coisa de forma isolada.

Quando pensamos somente em produtividade ou uso individual, isso pode funcionar. Mas, quando falamos em um projeto corporativo e em ampliar a capacidade operacional da empresa, a organização, a preparação, a qualidade e a governança dos dados voltam a ter um papel central.

Quanto mais histórico, contexto e possibilidade de cruzamento entre diferentes fontes, maior é a capacidade de extrair inteligência e gerar ações melhores. Pois autonomia não significa atuação isolada, mas, ao contrário, um acesso escalado ao que é necessário para embasar decisões e ações assertivas em todas as áreas, do operacional ao comercial, da gestão à direção.

Vale lembrar que, durante décadas, a prioridade de investimentos esteve concentrada na digitalização dos processos e na ampliação do acesso à informação. Mas a próxima fronteira vai além, residindo em conectar dados, contexto, inteligência e execução dentro de um mesmo ciclo.

A governança ligada à autonomia, nesse contexto, trabalha para escalar o poder de uma esfera produtiva conduzida por:

  1. Dado
  2. Contexto
  3. Decisão
  4. Execução
  5. Aprendizado
  6. Novo dado

Reflexões como estas foram trazidas por Ana Thesing, executiva da BIMachine, durante palestra no SMDI 2026, promovido pela ABIMAQ.

““A transformação começa pelo dado. Sem informações confiáveis, decisões importantes acabam baseadas em percepções, experiências individuais ou informações fragmentadas. CRM, ERP, campanhas, metas, pipeline, carteira de clientes e planilhas podem conter uma enorme quantidade de informação, mas, isoladamente, não necessariamente produzem uma visão compartilhada do negócio.””

— Ana Thesing, executiva da BIMachine

Ainda conforme a executiva, a consolidação desses dados permite que a empresa enxergue melhor sua operação.

Do dado ao contexto: enxergar não significa entender

Mas enxergar não significa entender. E esse é o segundo estágio do processo: transformar indicadores em contexto, entendendo que não se trata simplesmente de democratizar o acesso aos dados, dashboards ou ferramentas de IA, mas sim de tornar acessível a cada parte envolvida a inteligência e o contexto necessário para suas decisões.

Isto porque a gestão, a direção e o comercial podem ter acesso aos mesmos dados, dashboards e ferramentas de IA, mas não os usarão no mesmo contexto, afinal, precisam responder perguntas diferentes.

Vamos a exemplos. Uma queda na conversão é um dado, certo? Identificar por que ela aconteceu já exige interpretação. Da mesma forma, saber que determinada carteira está abaixo do potencial não responde, por si só, quais clientes precisam ser priorizados ou qual ação deve ser tomada.

A IA como camada de inteligência para a tomada de decisão

É nesse ponto que a IA passa a ter valor estratégico.

A mesma informação precisa responder perguntas diferentes

  • Gestão -> Por que minha conversão caiu?
  • Direção -> Onde estamos perdendo margem?
  • Comercial -> Quais clientes deveriam ser prioridade hoje?

A IA acelera justamente essa relação entre demanda e decisão necessária. Se durante muito tempo obter uma resposta exigia navegar por telas, aplicar filtros, cruzar relatórios e, muitas vezes, recorrer a profissionais especializados para interpretar os dados, com a IA essa relação começa a mudar.

Perguntas como “o que está acontecendo com a minha carteira?”, “por que minha venda caiu?”, “quais clientes reduziram a frequência de compra?” ou “onde estão minhas oportunidades paradas?” podem ser incorporadas ao próprio fluxo de trabalho.

A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta para consultar informações e passa a atuar como uma camada de inteligência sobre os processos da empresa.

Mas essa evolução produz uma nova questão: quem transforma essa inteligência em ação?

O novo gargalo está na execução

É possível saber que um cliente está em risco e ainda assim ninguém entrar em contato com ele. Identificar uma oportunidade parada e ela continuar sem acompanhamento. Descobrir que uma carteira está abaixo do potencial e nenhuma ação efetiva ser realizada.

É nesse intervalo entre saber o que fazer e efetivamente “fazer” que surge, segundo Ana, o novo gargalo da gestão.

A empresa pode ter dados confiáveis, capacidade analítica e inteligência artificial. Ainda assim, o resultado não acontece automaticamente, pois a informação precisa chegar à ação.

Substituir, não: complementar

E quando falamos nesse resultado, outro ganho está também na expansão da capacidade operacional, que passa a contar com uma nova camada: a dos colaboradores digitais agênticos, que se somam às pessoas para construir uma operação e gestão híbridas, na qual humanos e sistemas digitais desempenham papéis complementares.

Assim, fica ainda mais claro que estamos tratando de algo bem além de uma simples tecnologia: trata-se de agregar às equipes a possibilidade de delegar à IA o que é repetitivo, rotineiro, que não precisa da intervenção humana, ampliando, assim, o tempo e a capacidade de execução das pessoas, que com isso têm mais disponibilidade para atividades que dependem de julgamento, relacionamento, negociação, criatividade e liderança.

Não é sobre trocar o humano pelo digital. É sobre facilitar e potencializar o trabalho das pessoas usando a tecnologia e aliando inteligência avançada a processos que se tornam cada vez mais eficientes.

Cultura: quando o ciclo não para

Se sintetizarmos as reflexões apresentadas por Ana no SMDI 2026, alguns highlights se sobressaem:

  • Dado sem contexto é informação.
  • Contexto sem decisão é análise.
  • Decisão sem execução não passa de intenção.

E o próximo diferencial competitivo pode estar justamente na capacidade de reduzir a distância entre esses pontos.

Do dado à decisão. Da decisão à execução. E da execução ao aprendizado que alimenta os próximos movimentos na condução de uma estratégia que realmente traga crescimento e competitividade às empresas.

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